sexta-feira, 5 de outubro de 2012

À Margem: milhares de negócios na rua

Uma visita a pé ou de táxi pela cidade revela uma imensidão de pequenos negócios. Comerciantes com porta aberta em espaços exíguos. Ou, se necessário, com o estabelecimento comercial literalmente em plena rua, em posições estratégicas de maior tráfego.


Imagens: comércio e serviços (barbeiro, chaveiro, mecânico). 
Micro-empresas em acção e como fonte de sobrevivência.

Mensagem 4: Tendências e oportunidades


Uma das tendências que se encontra em Bombaim é o de recuperar vivendas antigas e, depois, nas suas traseiras construir edifícios de apartamentos de nível médio-alto ou mesmo topo.
E os clientes destas casa requerem materiais de qualidade sendo muitas vezes com recomendações de arquitectos.
Outra oportunidade (ainda não muito clara pois os recursos, nestes casos, são muito reduzidos): o parque habitacional está, em geral muito envelhecido e degradado. Havendo capacidade de investimento, serão milhares e milhares de casas para renovar.

À Margem: Contrastes


A cidade de Bombaim (12 milhões de habitantes na cidade e cerca de 20 milhões se considerarmos a região metropolitana) revela ser uma cidade de muitos e gritantes contrastes. A uma maioria que tem um baixo ou muito baixo poder de compra junta-se uma minoria com dinheiro, vontade de progredir e que dispõe de um bom nível de vida.
Esta realidade está bem visível por toda a cidade onde coexistem: edifícios de apartamentos de elevado nível, lojas de algumas das principais marcas mundiais, comércio tradicional de muito baixo nível e com lixo acumulado em muitas ruas.
A foto 1 mostra o interior do Hight Street Proenix, um moderno centro comercial. Mas, na mesma rua para onde saem os carros do seu parque de estacionamento, encontra-se a realidade relatada na foto 2.
Contrastes e contradições.

Mensagem 3: Importadores

O dia correu bem pois foi possível realizar visitas a quatro empresas que se assumem como importadoras de cerâmica. São, à primeira vista, lojas de materiais de construção, designadamente cerâmica. Situam-se todas no perímetro urbano de Bombaim. Mas, nos contactos apresentam-se como importadores-distribuidores vendendo a retalhistas espalhados pelo país. Além, claro, de vendas directas ao público e a construtores.
Após uma apresentação genérica do projecto APICER-Índia 2012, foram convidados a visitar os stands das empresas portuguesas.
Por email, serão transmitidos os contactos e os endereços dos websites das empresas portuguesa na ConstruIndia que estarão presentes de forma a possibilitar um primeiro contacto comercial.
Os potenciais clientes são: C. Tribhovandas & Co, Adenwala Stones and Ceramic, Indian Ceramic Centre e N. H. Mehta & Co.
Além produto italiano e espanhol, encontram-se à venda produtos indianos, brasileiros e gregos.
As trocas de impressões revelou uma (excessiva?) preocupação pelo factor preço. Outra informação que pode ser relevante é a de que os próprios construtores, em negócios de dimensão, compram directamente os produtos a fabricantes, incluindo fabricantes estrangeiros (muitas vezes com recomendação de arquitectos).
Uma das empresas possuía amostras da Topcer, única presença portuguesa nesta pequena amostra de pontos de venda.

À Margem: um português de Goa e que gosta de futebol

A presença portuguesa ainda é visível mas de forma não muito intensa. Mas, eis que se encontra António Fernandes, empregado do hotel. Como quase sempre acontece, o indiano gosta de se mostrar interesse pelo seu interlocutor. Enquanto faz o atendimento, é comum perguntar: de onde vem? E não se trata apenas de ser simpático. Parece genuíno o seu interesse e a empatia funciona quase de imediato. Neste, ter um nome tão português (apesar de não falar uma única palavra na nossa língua) foi um ponto de partida na conversa. Nasceu em Goa no dia seguinte à retirada das tropas portuguesas. E vive há anos em Bombaim.
Um facto torna-o muito "português": a paixão pelo futebol. Era 4ª feira e sabia os resultados da Liga dos Campeões (sabia que o Benfica tinha perdido...) e discutiu a antevisão a jornada desse dia.
Ao longo do ano, segue as principais equipas europeias. Tem admiração pelo Barcelona e por outros clubes, designadamente de Inglaterra. Espantoso sobretudo tendo em consideração que estamos num país de admiradores de outro desporto: o críquete.
Já agora, apesar da força deste desporto, em Bombaim há uma escola do Manchester United e uma loja com o seu merchandising.

quarta-feira, 3 de outubro de 2012

Mensagem 2: Chegada difícil

Era já 1 da manhã quando o avião da Lufthansa cumpria o horário para a chagada do voo de Frankfurt. Mas, depois do cansaço das quase 17 horas de viagem desde o Porto, ainda faltava mais uma hora e meia para resolver um problema simples: dar entrada num país amigo e recolher a bagagem. Ms a burocracia é mais do que muita e, coisa rara por estes lados, os funcionários mal encarados e sem sequer dizer um simples "boa noite". E digo "coisa rara" pois em qualquer sítio, desde o hotel até à rua, ao serem interpelados, mostram-se agradados por poder ajudar e são simpáticos.
Mas lá acabámos por sair e ainda se seguiram quase trinta minutos para o Aeroporto.
A cidade está deserta ou quase. O trânsito caótico resume-se a meia dúzia de carros.
Mas, por outro lado, evidencia-se uma cidade muito suja com imensas pessoas a dormir no chão,  com um rasto de pobreza extrema.
Casas degradadas estão à vista de todos mas coexistem com modernos prédios de apartamento novos e com boas condições.
O taxista fala-me da atracção que Bombaim provoca em milhões de pessoas que aspiram a algo de melhor: um emprego mais bem remunerado, um nível de vida melhor, um tecto. Mas atrai também investidores que desejam especular e que fazem da construção um mundo de oportunidades.
O sector da construção está em alta. E parece haver espaço para continuar a crescer.